Brasília, 16/09/2026 — O Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro a sessão destinada a examinar procedimento interno relacionado às menções ao procurador‑geral da República, Paulo Gonet, em mensagens atribuídas ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
O caso teve abertura formal depois de representação apresentada por deputados do partido Novo, que solicitaram o afastamento de Gonet das investigações ligadas ao caso Master. O relator do processo no conselho é o subprocurador‑geral da República Francisco de Assis Sanseverino.
Em relação às consequências disciplinares, o conselho não tratará de um processo administrativo punitivo contra o procurador‑geral; a pauta da reunião deve centrar‑se em avaliar se as referências a Gonet em relatório da Polícia Federal afetam sua imparcialidade no inquérito sobre o Master.
Na defesa enviada ao conselho em 15 de setembro, Gonet negou vínculo de amizade com Vorcaro e afirmou não ter interesse pessoal nos procedimentos em que o ex‑banqueiro aparece como parte ou investigado. O procurador‑geral também declarou que se encontrou com Vorcaro apenas uma vez, de forma muito breve, em razão da participação em um painel jurídico em Londres do qual o Master teria sido um dos patrocinadores. Segundo a defesa, Gonet não tinha conhecimento prévio sobre os patrocinadores do evento e nenhum registro de contato entre ele e Vorcaro foi localizado no aparelho do ex‑banqueiro.
As investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostas práticas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras de valor bilionário atribuídas a Vorcaro, identificaram menções a Gonet em conversas do ex‑banqueiro com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ainda segundo os delegados responsáveis pela operação, expressões usadas por Vorcaro em diálogos com interlocutores como o advogado Ciro Soares teriam referência a dois nomes — interpretados como Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor‑geral da Polícia Federal.
Em uma das mensagens juntadas ao inquérito, Vorcaro disse que não seria possível reverter determinada situação contando com a ajuda de “Paulo e Andrei”; delegados entendem que essa passagem alude ao procurador‑geral e ao diretor‑geral da PF.
Com a sessão agendada para 25 de setembro, o Conselho Superior do MPF avaliará as provas e as alegações de defesa para decidir se há elementos que comprometam a atuação do procurador‑geral no caso Master. Qualquer deliberação do conselho seguirá o rito interno previsto para questões de ordem administrativa e de correção de conduta dos membros do Ministério Público Federal.
Leia também: Brics em Nova Délhi reafirma apelo por reforma da governança global e apoio ao Brasil e à Índia
via Agência Brasil