Zanin pede apuração e responsabilização após Dallagnol anexar dados fiscais ao registro de candidatura

Zanin pede apuração e responsabilização após Dallagnol anexar dados fiscais ao registro de candidatura

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin encaminhou, neste sábado (5 de setembro de 2026), um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) solicitando que sejam apurados e responsabilizados os envolvidos na divulgação de seus dados fiscais e bancários. No documento, dirigido ao presidente do TRE-PR, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, Zanin requer responsabilização “inclusive no âmbito criminal”. As presidências do próprio STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foram notificadas sobre o episódio.

Os documentos com informações tributárias e bancárias foram anexados ao registro de candidatura ao Senado do ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) como parte da contestação a uma impugnação do seu registro. A defesa de Dallagnol informou que os arquivos referem‑se a procedimentos abertos por Zanin no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e que foram apresentados integralmente para que a Justiça Eleitoral avaliasse a elegibilidade do candidato.

Segundo a defesa do ex-procurador, o objetivo ao apresentar o material foi demonstrar a regularidade da candidatura e garantir transparência no processo eleitoral, sem intenção de expor dados pessoais. Os advogados ressaltaram que as reclamações no CNMP não resultaram em punições e foram arquivadas, alegando ainda que os desdobramentos destes procedimentos demonstram sua insubsistência.

As informações anexadas por Dallagnol remontam a 2019, quando ele chefiava a Operação Lava Jato no Paraná e Cristiano Zanin atuava como advogado do hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, quebras de sigilo fiscal e bancário foram determinadas pelo então juiz Marcelo Bretas, responsável por parte das investigações da Lava Jato no Rio de Janeiro. Entre os dados atingidos estavam também os de Valeska Teixeira Zanin Martins, esposa do ministro, segundo o registro dos autos.

Posteriormente, a Justiça Federal anulou as quebras de sigilo contra Zanin e sua esposa por falta de provas das acusações. As reclamações contra Dallagnol no CNMP igualmente não resultaram em sanções e terminaram arquivadas.

Na sequência da divulgação dos documentos, a relatora do registro de candidatura de Dallagnol no tribunal eleitoral, desembargadora Vanessa Jamus Marchi, determinou novo sigilo sobre os documentos neste mesmo sábado.

O caso levanta questões sobre o uso de documentos sigilosos em processos eleitorais e sobre os limites entre direito de defesa e proteção de dados pessoais, temas que têm sido alvo de debate na Justiça e na legislação brasileira.

Dados da publicação: Brasília, 5/9/2026.

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via Agência Brasil

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