Brasil lança AdaptaSUS para preparar o SUS aos impactos de El Niño 2026-2027

Brasil lança AdaptaSUS para preparar o SUS aos impactos de El Niño 2026-2027

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Por Daniella Almeida | Brasília — Publicado em 28/08/2026 – 18:36

O Ministério da Saúde apresentou o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027, chamado Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS. O documento, divulgado na quarta-feira (26) durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), reúne estratégias para reduzir os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população e sobre a operação do Sistema Único de Saúde (SUS).

El Niño é um fenômeno de aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial que altera padrões de vento e precipitação globalmente. Para o Brasil, as previsões classificam o episódio como “forte” até 2027, com possibilidade de evolução para “muito forte” em setembro; a janela crítica apontada pelo governo vai de outubro de 2026 a março de 2027.

Riscos à saúde e objetivo do plano

O AdaptaSUS parte do entendimento de que as alterações climáticas já aumentam a ocorrência de doenças e de óbitos, além de pressionar os serviços de saúde. O plano destaca que comunidades mais vulneráveis socioambientalmente — com menor acesso a serviços de saúde e infraestrutura — tendem a ser desproporcionalmente afetadas, exigindo respostas integradas e pautadas por justiça climática e equidade.

Entre os objetivos centrais estão reduzir os efeitos da mudança do clima sobre a saúde das pessoas e sobre a capacidade de atendimento do SUS, orientando também estados e municípios por meio de diretrizes federais.

Estrutura e metas

A preparação para o fenômeno está organizada em cinco eixos principais:

  • Governança federativa, incluindo a criação de uma Sala de Situação de Emergências Climáticas;
  • Governança interna do Ministério da Saúde, com a Sala de Situação Saúde e Clima;
  • disponibilização de recursos e de kits emergenciais de assistência farmacêutica;
  • Atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas;
  • organização de serviços e protocolos técnicos ajustados às especificidades de cada bioma.

No horizonte médio, o plano define 27 metas e 93 ações a serem implementadas até 2035.

Medidas já em curso

Como parte das ações relacionadas à segurança hídrica em áreas afetadas por seca e estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18.800 cisternas em 397 municípios de sete estados, com investimento de R$ 226,6 milhões voltado a melhorias sanitárias.

Ferramentas de monitoramento e integração

O acompanhamento climático e de riscos de saúde apoiará as medidas do AdaptaSUS por meio de ferramentas como o Painel Nacional de Excesso de Calor, a Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAR) e o GeoRisk do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O plano também já prevê a integração de sistemas oficiais de detecção e registro (e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan) para permitir identificação precoce e resposta a surtos e outras ocorrências.

O AdaptaSUS conta ainda com Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), instalados como projeto-piloto em oito cidades de todas as cinco regiões do país, e determina a constituição de um painel de especialistas em clima e saúde para assessorar tecnicamente as decisões.

Atenção à Amazônia e a áreas de difícil acesso

No plano há previsão de ações específicas para a Amazônia, considerando a logística e a estrutura de atenção primária em municípios de difícil acesso, incluindo equipes de saúde adaptadas e Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF).

Efeitos previstos por região

A avaliação técnica do governo aponta impactos regionais distintos durante o El Niño:

  • Regiões Norte e Centro-Oeste: seca, estiagem e risco ampliado de queimadas;
  • Nordeste: aprofundamento da seca e aumento de ondas de calor;
  • Sudeste: irregularidade climática com possibilidade de ondas de calor e temporais mais disseminados;
  • Sul: maior probabilidade de chuvas intensas e inundações.

Principais riscos à saúde

O documento lista efeitos diretos que podem afetar a população e o funcionamento dos serviços de saúde, entre eles:

  • doenças associadas a extremos de temperatura (calor e frio);
  • doenças vinculadas ao acesso inadequado à água, saneamento e higiene;
  • infecções transmitidas por vetores e zoonoses;
  • problemas respiratórios e doenças relacionadas à poluição atmosférica;
  • lesões e mortes por eventos climáticos extremos;
  • desnutrição, agravamento de doenças crônicas, além de impactos na saúde mental e psicossocial.

Além das mudanças nos padrões de doença, as alterações climáticas podem gerar aumento da demanda por atendimentos, emergência em saúde pública e, em casos extremos, comprometimento ou interrupção da prestação de serviços em unidades de saúde.

Contexto mais amplo

O AdaptaSUS faz parte do Plano Clima Adaptação do governo federal, cuja elaboração envolveu 25 ministérios e contribuições da sociedade civil, do setor empresarial e de comunidades. O programa federal inclui, no total, quinze planos setoriais e temáticos, como os voltados à segurança alimentar e nutricional, energia, transportes e cidades, buscando articular respostas intersetoriais às mudanças do clima.

O lançamento do AdaptaSUS indica a tentativa de estruturar respostas coordenadas do sistema de saúde para o período crítico previsto para o El Niño, com foco em prevenção, monitoramento e resposta rápida às emergências climáticas.

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via Agência Brasil

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