Por Cristina Índio do Brasil. Publicado em 29/08/2026 – 09:42. Rio de Janeiro.
Ao completar meio século em 2026, o Museu do Pontal soma conquistas que passaram pela superação de inundações recorrentes em sua antiga sede, mobilização social e a consolidação de um novo modelo de espaço cultural na Barra da Tijuca.
Das enchentes à mobilização
A antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes, começou a sofrer com alagamentos a partir de 2011, agravados pela construção de condomínios que deixaram o terreno mais baixo em relação aos arredores. Apesar de uma reforma feita em 2009, o problema persistiu e, em uma das ocorrências mais graves, as áreas internas chegaram a ficar submersas por até um metro.
Em 2016 o museu obteve um terreno para mudar de local, mas a falta de recursos manteve as obras paralisadas por dois anos. Sem condições de reparar os danos e dar continuidade à construção, a instituição recorreu a uma campanha de arrecadação que envolveu mais de 1.000 pessoas e empresas, viabilizando a conclusão do projeto.
Nova sede e projeto
A nova sede foi inaugurada em outubro de 2021, marcando o fim de um processo de dez anos para a mudança. A instituição adotou o formato de “Museu Praça”: um equipamento pensado como ponto de convivência, onde exposições de artes plásticas de matrizes populares dialogam com apresentações de dança, música, oficinas e atividades ao ar livre.
Segundo o diretor executivo Lucas Van de Beuque, o período das enchentes exigiu articulação com apoiadores privados e órgãos públicos e também provocou um esforço coletivo para manter vivo o projeto do novo museu.
Atuação durante a pandemia e programação
Durante a pandemia de covid-19, a equipe do museu promoveu encontros virtuais com artistas de diferentes estados, mantendo a atividade cultural e oferecendo alívio a públicos em reclusão. Desde a mudança para a Barra, o espaço tem intercalado mostras, espetáculos e ações educativas, além de preservar áreas para lazer, como jardins para piqueniques e brincadeiras.
Coleção e missão
A coleção que sustenta o Museu do Pontal foi iniciada em 1976 pelo francês Jacques Van de Beuque e tem como foco a produção das camadas populares. A diretora Angela Mascelani destaca que o trabalho do museu busca reconhecer esses criadores como autores com trajetórias e linguagens próprias, colocando suas obras em pé de igualdade com produções das chamadas artes hegemônicas.
Uma exposição inaugural que passou pelo Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio contribuiu para dar visibilidade e reconhecimento ao acervo antes de ser exibida na antiga sede do museu, segundo Angela, marcando uma importante etapa na afirmação da arte popular como campo de estudo e fruição.
Perspectivas
Com 50 anos de existência, o Museu do Pontal afirma-se hoje como referência na defesa e na difusão da arte popular brasileira, resultado de décadas de curadoria, preservação e de uma trajetória marcada por desafios logísticos, apoio comunitário e mudanças conceituais no modo de apresentar o acervo ao público.
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via Agência Brasil
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