COP17: Brasil se compromete a restaurar 163 mil km² até 2030 e é cobrado por implementação

COP17: Brasil se compromete a restaurar 163 mil km² até 2030 e é cobrado por implementação

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Ulaanbaatar (Mongólia), 30/08/2026 — Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), o Brasil anunciou a meta de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030. A iniciativa recebeu manifestações positivas das Nações Unidas e de organizações da sociedade civil, mas especialistas presentes na conferência destacam que o compromisso precisa ser traduzido em ações práticas e monitoráveis.

Para Luiza Soares, especialista em sistemas alimentares da WWF Global, o anúncio representa um objetivo ambicioso, porém insuficiente se não vier acompanhado de uma estratégia integrada de uso da terra. Segundo ela, é preciso conciliar conservação e restauração de ecossistemas, recuperar a produtividade de áreas degradadas, promover manejo sustentável do solo e transformar sistemas agrícolas e alimentares, sempre com a inclusão efetiva das populações que dependem dessas terras.

Pedro Sena, conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), reforça a necessidade de acompanhamento público: a sociedade civil deve exercer fiscalização contínua para avaliar, ano a ano, o avanço das ações e garantir que os compromissos assumidos na COP17 se convertam em resultados na conservação do solo.

Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas, afirmou que a apresentação da meta ocorreu com atraso de 11 anos e que agora é preciso acelerar a execução. Entre as propostas defendidas pelo instituto estão a regulamentação da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga, recentemente aprovada, e a criação de uma Secretaria Especial dedicada à recuperação da Caatinga e ao combate à desertificação, vinculada à Presidência da República, com status de ministério, orçamento e quadro funcional próprios.

Como a meta se insere nas metas LDN

A restauração anunciada integra as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês), um compromisso voluntário assumido por mais de 130 países no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). Para alcançar os 163 mil km² previstos, o plano brasileiro inclui recuperação de vegetação nativa, investimentos em sistemas agroflorestais e intervenções em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.

O Brasil toma como referência o ano de 2020, quando havia 55,7 milhões de hectares em tendências de degradação. Para cumprir a neutralidade da degradação até 2030, o país precisa ao menos manter esse nível de terras saudáveis e produtivas. Além da área destinada à restauração, estão previstas medidas de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km², o que leva o total oficial das metas LDN brasileiras a 3,67 milhões de km² (soma das áreas de restauração e conservação).

Foco na Caatinga e cooperação com o Nordeste

O Consórcio Nordeste participou da COP17 apresentando projetos voltados à restauração da Caatinga e buscando ampliar investimentos para o semiárido. O bloco regional assinou um memorando de entendimento com a UNCCD com o objetivo de dar maior visibilidade ao bioma, facilitar cooperação técnica, acesso a metodologias internacionais e inclusão do Nordeste em redes globais dedicadas a regiões secas.

Carlos Gabas, secretário executivo do Consórcio Nordeste, qualificou o acordo como um avanço para fortalecer o protagonismo da região e viabilizar projetos do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, com impacto na redução de emissões de carbono e na mitigação da degradação da terra.

Andrea Meza, secretária adjunta da UNCCD, ressaltou o papel do Brasil na construção de soluções para a gestão sustentável da terra e afirmou que o Nordeste é peça-chave para consolidar políticas de combate à desertificação, restauração territorial e resiliência climática.

O repórter viajou a convite da UNCCD, após seleção entre jornalistas de vários continentes.

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via Agência Brasil

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