Por Isabela Vieira — Rio de Janeiro, 09/09/2026
O Ministério da Saúde instalou, na quarta-feira (9), uma nova base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) no Rio de Janeiro para reforçar a capacidade de atendimento em situações de emergência sanitária e desastres climáticos. A unidade está montada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no bairro da Glória, zona sul, e foi projetada para atuar em municípios e estados da Região Sudeste.
A estrutura dispõe de equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos de apoio, logística para deslocamento de equipes e um posto médico avançado. Em cenários de crise, o Ministério prevê ampliar o efetivo com a adesão de equipes estaduais, municipais e voluntários, conforme a demanda.
O objetivo central da iniciativa é reduzir o tempo de resposta do sistema público de saúde diante dos impactos esperados do El Niño. Projeções para 2026 apontam que o fenômeno climático poderá provocar temporais, chuvas intensas e ondas de calor no Sudeste, enquanto outras regiões do país enfrentam riscos de seca, incêndios e inundações, situações que podem sobrecarregar as redes locais de saúde.
O ministro Alexandre Padilha afirmou que, com a nova base no Rio, será possível alcançar qualquer ponto da Região Sudeste em até 12 horas.
A unidade carioca é a terceira do tipo no país — as outras duas estão em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). O Ministério da Saúde informou que pretende inaugurar mais seis bases em diferentes regiões até o fim de 2026, ampliando a capilaridade da FN-SUS.
As bases atuam de forma articulada com os Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que reúnem dados ambientais, climáticos e demográficos para antecipar riscos, orientar ações de vigilância em saúde e planejar respostas a eventos extremos.
Pesquisas e notas técnicas reforçam a necessidade de medidas preventivas. Um estudo divulgado pela Fiocruz em junho apontou que, nos últimos 20 anos, cerca de 120 mil pessoas morreram em razão da falta de ações diante de ondas de calor. A instituição recomendou a ativação de sistemas de monitoramento e alertas antecipados para orientar e atender populações vulneráveis.
A Fiocruz alerta que enchentes, secas e queimadas têm efeitos imediatos e prolongados sobre a saúde pública, desorganizam serviços, deslocam populações, aumentam a exposição a agentes infecciosos e interrompem tratamentos, além de agravar problemas de saúde mental.
Segundo estudos internacionais citados pelo ministério, cidades brasileiras estão entre as mais vulneráveis a ondas de calor: 11 dos 15 municípios com mais de um milhão de habitantes foram avaliados como vulneráveis. Goiânia e Manaus aparecem no topo desse levantamento, e o Rio de Janeiro também integra a lista.
A nova base da FN-SUS no Rio busca, portanto, fortalecer a resposta coordenada entre a saúde pública, a Defesa Civil, serviços de saneamento e assistência social diante dos desafios previstos para a temporada do El Niño.
Leia também: AGU afirma que decisão de Fachin restabelece ordem e prerrogativa presidencial sobre direção da PF
via Agência Brasil
1 thought on “Rio ganha base da Força Nacional do SUS para agilizar resposta a desastres do El Niño”