Brasília, 02/09/2026 — A Procuradoria-Geral da República recomendou o arquivamento do depoimento prestado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso, no qual ele afirmou ter sido alvo de “graves intimidações” durante negociações para formalizar um acordo de delação premiada.
O depoimento foi colhido na semana passada por um juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do chamado caso Master, em atendimento a um pedido da defesa de Vorcaro. No parecer encaminhado ao Supremo, a PGR afirma que o ex-executivo não trouxe provas que corroborem as alegações de ameaça.
Vorcaro tenta reabrir as tratativas para firmar a delação premiada — acordo já recusado em duas ocasiões pela Polícia Federal e pela própria PGR. Segundo os investigadores, o material apresentado pelo ex-banqueiro não acrescentou elementos novos em relação ao que já havia sido apreendido e ele não admitiu a prática de ilícitos, ponto considerado relevante para a validação de um acordo de colaboração.
Em termos gerais, a delação premiada é um instrumento em que investigados fornecem informações relevantes para as investigações em troca de benefícios processuais, como redução de pena; a aceitação do acordo depende da avaliação de órgãos como a PF e a PGR.
Moraes
Em manifestação separada, a PGR pediu a anulação do relatório da Polícia Federal que indicou a existência de trocas de mensagens entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. No documento enviado ao tribunal, o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, sustentou que o aprofundamento da apuração determinado pelo ministro André Mendonça, para examinar as conversas atribuídas a Moraes, foi realizado sem a devida autorização do plenário da Corte e, por isso, configuraria investigação irregular.
O caso será submetido ao plenário do Supremo Tribunal Federal para análise, mas ainda não há data definida para a sessão que tratará do tema.
Repórter: André Richter
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via Agência Brasil
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