Observatório aponta Flávio Bolsonaro e PL como maiores divulgadores indevidos de conteúdo gerado por IA

Observatório aponta Flávio Bolsonaro e PL como maiores divulgadores indevidos de conteúdo gerado por IA

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Brasília — 14/09/2026. Um levantamento do Observatório IA nas Eleições, iniciativa desenvolvida pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, concluiu que quase dois em cada três conteúdos políticos gerados por inteligência artificial publicados nas redes sociais entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026 não informaram o uso da tecnologia — prática vedada pela Justiça Eleitoral.

Principais resultados

Os pesquisadores analisaram 413 publicações. Do total, 250 (cerca de 60%) foram classificadas como sátira com a intenção de ridicularizar políticos, enquanto 163 (aproximadamente 40%) foram identificadas como desinformação.

O observatório aponta ainda que a ausência de sinalização do uso de IA ocorre tanto por parte das contas que publicaram o conteúdo quanto possivelmente pela moderação insuficiente das próprias plataformas, que dispõem de recursos de rotulagem.

Quem publicou

A maioria dos conteúdos de desinformação ou não rotulados como produzidos por IA partiu de perfis anônimos. Entre figuras públicas e candidatos que compartilharam esse tipo de material, o levantamento identifica:

  • Flávio Bolsonaro (PL): 13 publicações;
  • Mário Frias (PL-SP): 10 publicações;
  • Romeu Zema (Novo): 5 publicações;
  • Sóstenes Cavalcante (PL-RJ): 3 publicações;
  • Eduardo Bolsonaro (PL): 3 publicações.

Em termos partidários, o PL concentrou o maior número de publicações identificadas como uso indevido de IA (28), seguido por PT (4) e PSDB (2).

Alvos e técnicas

Segundo o estudo, 81% dos casos envolveram manipulação de imagem ou voz de pessoas públicas, técnica conhecida como deepfake. O principal alvo dessas alterações pejorativas foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presente em 112 publicações com imagem ou voz adulteradas. Flávio Bolsonaro foi alvo em 57 desses casos.

O que é deepfake e posição da Justiça Eleitoral

Deepfake refere-se a conteúdos sintéticos produzidos ou manipulados por inteligência artificial que reproduzem ou alteram imagem, voz ou manifestação de uma pessoa de forma realista. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfakes quando o material for caracterizado como propaganda eleitoral.

Impacto e preocupações

O observatório destaca o risco de que conteúdos sintéticos sem identificação adequada comprometam o debate público e a transparência durante o processo eleitoral, além de dificultar a identificação e a moderação por parte das plataformas digitais. As evidências do levantamento reforçam a necessidade de aplicação das normas eleitorais e de mecanismos mais eficazes de rotulagem e fiscalização.

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via Agência Brasil

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