Por Isabela Vieira — Rio de Janeiro, 18/09/2026.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou um plano de governo de 76 páginas, intitulado Para o Brasil Vencer o Atraso, que organiza propostas em nove eixos. No texto, o candidato defende um forte enxugamento do Estado, retomada de desestatizações e medidas duras de segurança pública, além de iniciativas para digitalizar serviços e ampliar parcerias com o setor privado.
Visão geral e ajuste fiscal
No eixo final do documento, chamado Brasil que Não Volta Atrás, o candidato antecipa um “tesouraço” nas despesas públicas, com reforma administrativa prevista para reduzir dez ministérios e cortar cargos em comissão. O plano prevê ainda revisão do pacto federativo entre União, estados e municípios e a aceleração de privatizações como pilares para reduzir gastos e pressionar a queda dos juros.
Segurança
As primeiras medidas elencadas no programa tratam da segurança pública. Flávio Bolsonaro propõe classificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas e aumentar penas e encarceramento como resposta à criminalidade. Entre outras ações, o documento prevê a criação de uma “tropa de elite” das Forças Armadas para patrulhamento de fronteiras e a redução da maioridade penal de 18 para 14 anos para crimes considerados hediondos — citando estupro, tráfico, tortura e homicídio.
Economia e infraestrutura
Na área econômica, o plano prioriza redução de tributos sobre energia elétrica e combustíveis e a revisão da reforma tributária para estimular o consumo das famílias. Para reduzir custos logísticos, a proposta inclui a criação de corredores logísticos, ampliação da capacidade de armazenagem de safras e incentivos à produção nacional de fertilizantes. A agenda também enfatiza a retomada de desestatizações e maior abertura para capital privado.
Saúde
O programa defende a digitalização dos serviços públicos como forma de reduzir burocracia. Como medida inicial, propõe a informatização e o compartilhamento dos prontuários eletrônicos do SUS com hospitais privados. O texto também diz que a imunização será mantida e prevê oferta de atendimento por telefone ou aplicativo em regiões com falta de médicos ou longas filas por especialistas.
Educação
No eixo Brasil que Prepara, o candidato anuncia mudanças no método de alfabetização, priorizando o método fônico (que relaciona sons às letras) em vez do método que associa diretamente fonemas a grafemas. Entre outras propostas estão a criação de vouchers para creches privadas, remuneração de estudantes para darem aulas de reforço a colegas, ampliação da oferta de cursos técnicos e expansão de escolas cívico-militares. O plano também prevê incluir competências de economia digital e robótica no currículo, abrir unidades escolares durante férias e transferir o ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Meio ambiente e energia
Embora o documento afirme não reconhecer a existência de uma crise climática global, traz medidas ambientais voltadas sobretudo à flexibilização do licenciamento. Entre os pontos estão a ampliação da exploração de petróleo e gás, a possibilidade de fracking e a eliminação de sobreposições entre órgãos como Funai e Ibama. O plano prevê ainda autolicenciamento em casos de demora para emissão de licenças, incentivos à produção de combustível sustentável de aviação e aceleração de projetos de mineração com maior participação de capital estrangeiro.
Saneamento e habitação
Para saneamento básico, a proposta enfatiza a aceleração de concessões e parcerias com a iniciativa privada para levar água às escolas e fechar lixões a céu aberto. Na habitação, o candidato propõe retomar o Programa Casa Verde e Amarela com a meta de construir 2,5 milhões de moradias que seriam comercializadas com “a menor taxa de juros possível”.
Outros pontos
O documento também contempla iniciativas para digitalizar a economia e retomar desestatizações. O plano foi divulgado no contexto da agenda de apresentação de programas de governo dos candidatos à Presidência que estão sendo tornados públicos na semana que antecede o período final de registros e campanha.
O plano de Flávio Bolsonaro afirma que buscará estruturar a gestão em linha com ações adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, presidente entre 2019 e 2022.
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via Agencia Brasil