Pesquisa revela que as apostas pela internet na Região Metropolitana do Rio de Janeiro geram gasto anual estimado em R$ 2,2 bilhões — valor superior a três vezes o estimado para as compras de Natal — e estão associadas ao aumento do endividamento e a problemas de saúde mental.
Autor: Douglas Corrêa — Publicado em 19/09/2026 – 10:57 — Rio de Janeiro
O estudo do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ), aplicado entre 22 e 25 de junho com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, aponta que 22,8% dos entrevistados já participaram de apostas online. A amostra permitiu estimar que cerca de 1,9 milhão de pessoas na região já fizeram esse tipo de aposta.
Entre os que já apostaram, 33% afirmaram que são atraídos pela possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente e 25,4% veem as apostas como forma de complementar a renda. O gasto médio mensal declarado foi de R$ 96,30, o que levou o instituto a calcular uma movimentação aproximada de R$ 182 milhões em apostas por mês.
Comportamento de risco e efeitos pessoais
O levantamento identificou sinais de perda de controle entre os apostadores: 22,3% disseram ter dificuldade para parar de apostar e 29,1% relataram sentir culpa por apostar. A crítica social também é frequente — 34,8% afirmaram ter sido repreendidos por familiares ou amigos devido ao hábito.
Uma parcela menor, mas relevante, de 6,9% declarou ter prejudicado a si ou a outra pessoa em razão das apostas; entre esses, 68% relataram ter perdido dinheiro. Além disso, 42% dos apostadores admitiram ter voltado a apostar para tentar recuperar perdas já realizadas — comportamento conhecido como “chasing”.
Dívidas e condição financeira
Do total de entrevistados que já apostaram, 5,1% disseram ter se endividado em decorrência das apostas. A pesquisa também mostrou que 42,9% dos apostadores possuem alguma dívida e, entre esse grupo, 45,9% não estão com os pagamentos em dia.
Quanto à distribuição de renda entre os que já participaram de apostas online, 36% têm rendimento mensal entre um e dois salários mínimos, 19,7% recebem entre dois e três salários e 19,4% têm renda de até um salário mínimo.
Frequência e plataformas
Sobre a frequência de uso, 21,9% disseram apostar diariamente e 27,9% informaram fazê-lo uma ou duas vezes por semana. Em relação às plataformas, 60,9% dos entrevistados declararam ter usado sites ou aplicativos identificados como “bets”; outra plataforma citada foi o Tigrinho (49,4%).
“Existe uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido, complementar a renda ou até mesmo funcionar como investimento”, afirmou João Gomes, diretor-executivo do IFec-RJ.
Na avaliação do diretor-executivo, os dados indicam que o comportamento de apostas pode gerar endividamento e comprometer o orçamento familiar. O instituto também observa impacto econômico mais amplo: recursos destinados às apostas deixam de circular em outros setores de consumo e investimento, reduzindo o potencial de movimentação da economia fluminense.
Edição: Maria Claudia
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via Agência Brasil