Geledés lança guia para facilitar acesso a políticas de cuidado no Brasil

Geledés lança guia para facilitar acesso a políticas de cuidado no Brasil

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Por Iara Balduino — Brasília

O Geledés — Instituto da Mulher Negra lançou em 25 de setembro de 2026 o “Guia de Acesso a Políticas de Cuidado”, um manual prático que reúne informações e orientações para que trabalhadores e trabalhadoras do cuidado, famílias e grupos em situação de vulnerabilidade obtenham acesso a políticas públicas e serviços essenciais.

O material apresenta, de forma didática, os documentos necessários e os procedimentos para acessar sistemas e portais governamentais — como a criação de conta no sougov.br e o uso do SUS Digital — além de sumarizar as principais políticas destinadas a públicos específicos.

Quem são os públicos contemplados

O guia organiza medidas e caminhos de atendimento por áreas e perfis, incluindo:

  • Crianças e adolescentes;
  • Pessoas idosas;
  • Pessoas com deficiência;
  • Trabalhadores e trabalhadoras do cuidado remunerado (domésticas, babás, cuidadores de idosos e de pessoas acamadas, cuidadores e educadores sociais);
  • Trabalhadoras do cuidado não remunerado (mães, filhas, avós e lideranças comunitárias que prestam cuidado sem remuneração).

Há, ainda, uma seção específica voltada a públicos em situação de vulnerabilidade, como mães solo e mulheres chefes de família, famílias em extrema pobreza, pessoas privadas de liberdade e seus familiares, parentes de vítimas de feminicídio (mães e órfãos), comunidades tradicionais (indígenas e quilombolas) e imigrantes.

Contexto e importância

O guia destaca a historicidade da invisibilidade e da desvalorização do trabalho de cuidado, realizado majoritariamente por mulheres, em especial negras e residentes em periferias. Segundo dados citados pela publicação, mulheres brasileiras dedicam quase dez horas a mais por semana do que os homens ao trabalho de cuidado — uma lacuna que, na avaliação de especialistas, limita oportunidades de estudo, emprego e participação na vida pública.

“São 10 horas que não sobram para estudar, para trabalhar, para participar da vida pública. Por isso, a política de cuidado é também uma política de democracia”, afirma Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.

Nilza Iraci, coordenadora de Formação, Cuidado e Emancipação do Geledés, enfatiza a necessidade de reconhecer as contribuições e demandas das mulheres negras: “Vamos celebrar as conquistas coletivas e refletir sobre os caminhos para o fortalecimento de políticas de cuidado que reconheçam as realidades, os saberes e as demandas das mulheres negras”.

Política Nacional de Cuidados

O guia contextualiza ainda a recente institucionalização do tema: a lei que institui a Política Nacional de Cuidados foi sancionada em dezembro de 2024. A política tem como objetivo olhar de forma diferenciada para quem realiza o trabalho de cuidado e fomentar iniciativas como a ampliação de creches e de lares de acolhimento para pessoas idosas.

Como o guia pode ser usado

Destinado a diferentes públicos — beneficiários, trabalhadores do cuidado, organizações da sociedade civil e gestores públicos — o manual funciona como um roteiro prático para orientar buscas e solicitações de serviços, indicando documentos, canais de atendimento e as ações públicas existentes por segmento.

O material visa reduzir barreiras de acesso e apoiar a efetivação de direitos ligados ao cuidado, contribuindo para políticas mais inclusivas e para o reconhecimento do trabalho essencial realizado por milhões de pessoas no país.

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via Agência Brasil

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