Por Fabíola Sinimbú — Brasília, 27/09/2026
O Rio de Janeiro foi selecionado como uma das sete cidades-piloto do programa global Distritos Lixo Zero, iniciativa que visa aprimorar a gestão de resíduos, reduzir emissões de metano e ampliar práticas de aproveitamento energético dos resíduos orgânicos.
Escopo e metas do programa
O projeto, promovido pela Fundação Zero Desperdício com apoio da rede Global Methane Hub (GMH), tem como objetivo elaborar e testar modelos de governança, monitoramento e financiamento voltados para bairros (distritos). As propostas devem garantir o desvio de pelo menos 70% dos resíduos de aterros sanitários até 2030 e 90% até 2040, contribuindo para a redução das emissões de metano e para a melhoria da qualidade do ar e da saúde pública.
Cidades-piloto
- Rio de Janeiro (Brasil)
- George Town, Penang e Kuala Lumpur (Malásia)
- Santiago e regiões da Patagônia (Chile)
- Kisumu (Quênia)
O anúncio das cidades selecionadas foi feito em Nova York, na quinta-feira (24), durante a Semana do Clima, evento ligado à agenda climática das Nações Unidas.
Por que o Rio foi incluído
Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o Rio de Janeiro lidera o ranking entre cidades brasileiras no volume de emissões do setor de resíduos — fator que torna prioritária a implementação de ações para mitigação do metano, um gás de efeito estufa com forte potencial de aquecimento global.
Experiência local que servirá de referência
O município já desenvolve medidas que devem servir de base ao programa. Desde 2023, foi implantado o monitoramento mensal por satélite de plumas de metano no Centro de Tratamento de Resíduos da Comlurb (CTR-Rio), em Seropédica. A detecção por satélite permitiu identificar pontos de intervenção no aterro e, em colaboração com a GMH e a própria Comlurb, foram incorporados cerca de 500 poços à rede de captação de biogás em 2025, o que elevou em 7,35% o aproveitamento do metano para fins energéticos em relação a 2024.
Henrique Bezerra, diretor regional do GMH para a América Latina, afirmou que o CTR-Rio é um exemplo de estratégia que pode ser replicada em aterros ao redor do mundo para promover comunidades mais saudáveis e sustentáveis.
Impactos esperados e próximos passos
Os modelos desenvolvidos nos distritos-piloto serão testados, avaliados e disponibilizados para adoção por outros bairros e cidades globais, com a meta de contribuir para os compromissos internacionais de redução de metano. Em sua avaliação, o diretor-executivo do GMH, Marcelo Mena, destacou que os Distritos Lixo Zero oferecem benefícios à saúde pública, geração de emprego, recuperação de recursos e soluções escaláveis para cidades.
Na visão do secretário nacional de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente, Adalberto Maluf, a participação do Rio no programa representa um avanço relevante nas políticas climáticas — uma iniciativa que esteve no centro da presidência da COP30 e segue com relevância para a agenda da COP31, que ocorrerá em novembro, em Antalya, na Turquia. Maluf também ressaltou que o Brasil já dispõe de várias soluções para reduzir emissões de metano ao longo da cadeia de gestão de resíduos e destacou a redução do desperdício de alimentos como uma medida crucial, com efeitos positivos sobre a segurança alimentar.
Os próximos meses devem concentrar a elaboração dos planos locais nos distritos selecionados, a definição de indicadores de desempenho e a busca por mecanismos de financiamento que permitam escalar as ações alinhadas às metas estabelecidas para 2030 e 2040.
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via Agência Brasil
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