Brasília, 28/09/2026 — O governo prorrogou por 30 dias o período de renegociação do Desenrola Adimplentes. As negociações poderão ser realizadas até 26 de outubro — data em que também expira a medida provisória que instituiu a nova fase do programa, o Desenrola 3.0.
O que o programa oferece
O Desenrola Adimplentes permite a repactuação de dívidas de até R$ 15 mil contraídas em operações de crédito pessoal por trabalhadores informais, sem exigência de garantia. As condições autorizadas pela medida provisória fixam juros de até 1,99% ao mês. Segundo dados do governo, a taxa média cobrada hoje nessas operações está próxima de 7% ao mês, o que justifica a proposta de redução para parcelas renegociadas.
Para ter acesso ao benefício, o cliente precisa ter quitado, no mínimo, quatro parcelas do financiamento e manter os pagamentos em dia ou com atraso inferior a 90 dias.
Por que houve prorrogação
A ampliação do prazo decorre de atrasos operacionais na implementação. A medida provisória que estruturou o Desenrola 3.0 foi publicada em 29 de junho, mas as renegociações só começaram de fato em 10 de agosto — após ajustes nas regras de participação solicitados por instituições que atuam como agentes operadores.
Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal atuam como operadores do programa e pediram mudanças nas normas de participação, o que contribuiu para o adiamento do início das operações.
Objetivo e reação do setor privado
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, justificou a iniciativa apontando que trabalhadores sem vínculo formal enfrentam dificuldades para comprovar renda e, por isso, têm maior acesso a linhas de crédito com juros elevados. Segundo ele, o programa busca oferecer condições mais favoráveis para a reorganização dessas dívidas.
Desde a criação do Desenrola Adimplentes, no fim de junho, a adesão do setor privado ficou aquém do esperado. Bancos privados demonstraram pouco interesse em renegociar dívidas que ainda estavam adimplentes ou com pequeno atraso. Para estimular participação, a medida provisória incluiu a possibilidade de portabilidade de crédito, permitindo que bancos públicos ofertem repactuações consideradas adequadas.
Mesmo com a previsão de portabilidade e ajustes nas regras, as renegociações só começaram efetivamente em 10 de agosto e a procura ficou abaixo das projeções iniciais, segundo informou o governo.
Reportagem: Wellton Máximo
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via Agência Brasil