Brasília, 11/09/2026 — Pedro Rafael Vilela
O ministro Gilmar Mendes encaminhou, na noite desta sexta-feira (11), um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, propondo o adiamento da sessão extraordinária prevista para terça-feira (15). A sessão tem como objetivo decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Mendes, que ocupa a posição de decano do tribunal (membro mais antigo), também sugeriu que o caso apurado na Petição (Pet) 16.662 — referente a elementos extraídos do celular de Vorcaro e submetidos à Polícia Federal a pedido do relator — seja apreciado em conjunto com o processo sobre a conduta de Moraes.
No ofício, o ministro destacou que as decisões e providências adotadas recentemente em procedimentos distintos parecem partir de um mesmo substrato fático e probatório, o que, em sua avaliação, recomenda uma tramitação coordenada pela Presidência. Após examinar as peças já disponibilizadas aos gabinetes, Mendes afirmou ter dúvidas substanciais sobre a maturidade do feito para julgamento no atual estágio processual.
Segundo a Pet 16.662, a investigação de Mendonça se baseou em materiais obtidos do celular de Vorcaro e resultou em um relatório de mais de 200 páginas produzido pela Polícia Federal. O despacho de Mendonça da semana passada tornou públicos trechos do procedimento que, segundo ele, contêm supostas conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes; o material também cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Vorcaro está preso desde o ano passado por fraude financeira.
O levantamento do sigilo pelo ministro André Mendonça desencadeou uma sequência de decisões conflitantes entre integrantes do tribunal. Em reação, Alexandre de Moraes incluiu Mendonça no inquérito das chamadas “fake news”, com base em relatório interno da Polícia Federal que, conforme apontaram interlocutores, não trouxe conclusões definitivas. Esse relatório atribuía a Mendonça condutas que, em tese, configurariam improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a grupos políticos.
A tensão institucional se aprofundou com medidas posteriores envolvendo o afastamento e a recondução do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, decisões que se somaram às já conflitantes movimentações entre ministros.
Ao justificar o pedido de postergação, Gilmar Mendes ressaltou que os autos se originaram a partir de informação de polícia judiciária requisitada pelo próprio relator e que a autuação do processo registra sua instauração “de ofício”, sem que haja representação formal da autoridade policial nos autos. Mendes observou que a Procuradoria-Geral da República, ao se manifestar, não postulou providência ao Plenário, limitando-se a arguir a nulidade do relatório produzido a mando do relator e a indicar que caberia ao próprio relator extinguir a petição.
Com base nisso, o decano afirmou que a Pet 16.662 carece de definição clara sobre contornos processuais essenciais — como identificação precisa do investigado, objeto da investigação e rito a ser seguido — e, por esse motivo, não estaria pronta para julgamento colegiado.
Para encaminhar a questão, Mendes sugeriu que Fachin assuma a relatoria do processo, ordene o saneamento e a instrução dos autos e, apenas então, submeta o caso ao Plenário. Caso a sessão de terça-feira seja mantida, o ministro pediu que o presidente da Corte delimite previamente as matérias a serem decididas e que a apreciação comece pelas questões preliminares, em especial a alegação da PGR de nulidade da ordem de Mendonça para a produção do relatório da PF.
O pedido de adiamento foi recebido em meio a intenso debate interno sobre procedimentos e prerrogativas entre ministros, e deverá ser avaliado pela Presidência do STF nos próximos dias.
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via Agência Brasil
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