Gaza reabre escolas presenciais após quase três anos; milhares retomam aulas em estruturas improvisadas

Gaza reabre escolas presenciais após quase três anos; milhares retomam aulas em estruturas improvisadas

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Milhares de crianças retornaram às aulas presenciais em Gaza no sábado, 20 de setembro de 2026, pela primeira vez em quase três anos. As turmas passaram a ser realizadas em salas danificadas, abrigos improvisados e tendas montadas para o início do ano letivo 2026-2027.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 98% das escolas na Faixa de Gaza foram destruídas ou sofreram danos durante os anos de conflito. Autoridades educacionais locais indicam que, nesse período, aproximadamente 660 mil estudantes deixaram de ter aulas presenciais regulares.

O retorno é visto pelas autoridades como um marco frágil após um período de combates que, segundo Ibrahim Ramadan, diretor de Educação de Khan Younis Oriental, deixou perto de 22 mil alunos mortos e mais de 770 profissionais da educação vítimas fatais — entre eles 532 professores.

Alunos ouvidos no enclave descrevem condições precárias. Moayed Abu Mustafa, de Khan Younis, afirmou que não ia à escola há três anos e que volta disposto a estudar apesar de faltar material básico e de ter de se sentar no chão de uma barraca sem ventilação. Samar Abu Salmi, deslocada de 15 anos, contou que o ensino remoto via celular não substituiu o contato com professores e que seu retorno ocorre em salas improvisadas entre abrigos.

Estruturas temporárias e rotina difícil

O Ministério da Educação, com apoio de organizações internacionais e locais, montou dezenas de locais de ensino temporários — feitos com lonas, painéis de metal, madeira e barracas — para acomodar o ano letivo. Em muitas salas há apenas colchões e um quadro para o ensino; alguns desses espaços também abrigam famílias desalojadas.

Yamen Abu Samra, de 14 anos, relatou que, antes, ia à escola com alegria, mas que hoje convive com medo de ataques e com as dificuldades de estudar sob calor e sem infraestrutura adequada.

Autoridades estimam que pelo menos 540 mil alunos poderão frequentar aulas presenciais este ano em escolas improvisadas, centros temporários e pontos de aprendizagem apoiados pelo Unicef. O ensino a distância seguirá disponível para quem não puder comparecer ou para os que deixaram Gaza durante o conflito.

O comércio de material escolar também sofre com restrições: o comerciante Khaled Aliyan, de 30 anos, afirmou que produtos que antes eram baratos ficaram muito mais caros — citou o exemplo de um caderno que custava 3 shekels (aproximadamente US$1) e hoje chega a 15 shekels.

As forças israelenses continuam a controlar mais de 60% do território de Gaza, segundo balanços locais, apesar do cessar-fogo firmado no ano anterior, que interrompeu os principais combates sem encerrar o conflito. Autoridades palestinas registram mais de 73 mil mortes em Gaza desde o início da ofensiva israelense desencadeada após o ataque de grupos liderados pelo Hamas que matou cerca de 1,2 mil pessoas no sul de Israel, em outubro de 2023.

A agência militar israelense responsável pelo controle de entradas e saídas do território de Gaza, Cogat, não respondeu a pedidos de comentário sobre as restrições às importações e sobre ataques que atingiram escolas. O governo de Israel acusa repetidamente o Hamas de empregar instalações educacionais para fins militares; o movimento nega as acusações.

Reportagem de Nidal al-Mughrabi e Haseeb Alwazeer.

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via Agência Brasil

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