Uma pesquisa do Instituto QualiBest, encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), mostra que a maioria dos consumidores desconfia da compra de medicamentos pela internet: 69% temem adquirir produtos falsificados.
Quando há oferta de itens irregulares, 85% dos entrevistados atribuem a responsabilidade às plataformas de comércio online. Entre os principais receios estão receber remédios vencidos ou mal armazenados (59%) e a compra de produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), citada por 54%.
O levantamento ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela aquisição de medicamentos no domicílio e que fazem compras online ao menos trimestralmente. As entrevistas ocorreram entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país.
Para 82% dos consultados, a venda digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Já 71% afirmam que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns nas plataformas.
Regra da Anvisa ainda será detalhada
Em agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a publicidade de medicamentos em marketplaces e aplicativos como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A agência, porém, esclareceu que a revogação não significa liberação automática: as vendas por esses canais ainda dependem de regulamentação específica.
A Lei nº 15.357/2026 passou a permitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de e-commerce exclusivamente para logística e entrega de medicamentos, desde que cumpridas as regras sanitárias. Em 19 de agosto, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou por unanimidade a abertura de um processo administrativo para definir como será essa contratação e a operação nos aplicativos.
Segundo a agência, a regulamentação em elaboração buscará adequar as normas sanitárias à nova lei. O diretor e relator do tema, Daniel Pereira, avaliou que a medida pode ampliar o acesso e trazer conveniência e agilidade na entrega, sem afastar a existência de riscos sanitários relevantes.
Setor e entidades cobram controle
Para a Abrafarma, qualquer modelo de comércio em plataformas deve preservar integralmente as regras de dispensação e as salvaguardas de saúde pública. O CEO, Sérgio Menna Barreto, defende a definição de regras claras, responsabilização e supervisão profissional, destacando que medicamentos requerem controle superior ao de outras categorias do varejo online. A entidade ressalta que a responsabilidade pela venda e pela assistência farmacêutica deve permanecer com farmácias e drogarias licenciadas, incluindo orientação profissional, controle de prescrições, rastreabilidade, armazenamento e transporte adequados.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) afirma que a entrada de plataformas não significará venda aleatória de medicamentos na internet: a autorização, quando ocorrer, será para que farmácias utilizem os aplicativos em sua operação, sob regulação da Anvisa, ponto que a autarquia profissional acompanhará no processo regulatório.
Direitos do consumidor e alertas do Procon
De acordo com o Procon-RJ, tanto as farmácias quanto as plataformas responderão solidariamente por prejuízos ao consumidor relacionados à qualidade e garantia dos medicamentos adquiridos online. Enquanto a regulamentação da Anvisa não estiver concluída, apenas farmácias autorizadas podem vender por meio de plataformas digitais.
O órgão recomenda atenção a ofertas muito abaixo do preço de mercado — um possível indício de irregularidade — e que o consumidor guarde nota fiscal, comprovantes e anúncios, o que facilita a apuração de eventuais infrações. A venda de produtos com validade vencida ou não autorizados configura infração ao Código de Defesa do Consumidor e está sujeita à fiscalização e a processos administrativos.
Hábito digital e fatores de confiança
O brasileiro é adepto do e-commerce: 95% dos entrevistados já compraram online, e nove em cada dez dizem avaliar a segurança do site antes de fechar a compra, observando a credibilidade do vendedor e avaliações de outros usuários. Ainda assim, 69% relataram experiências negativas no comércio eletrônico, como atraso, produto divergente, avarias ou golpes em que a mercadoria não chegou.
Na compra de medicamentos, a presença de um farmacêutico aumenta a confiança para 78% dos respondentes. Comprar em uma plataforma conhecida eleva a percepção de segurança para 52%. Por outro lado, 56% afirmam que teriam dificuldade para identificar a quem recorrer em caso de problema com remédios adquiridos via marketplace.
Abrafarma é a entidade que reúne grandes redes de farmácias e drogarias do país. A Anvisa é o órgão regulador responsável por normas e fiscalização sanitária no Brasil.
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via Agência Brasil