Prisão preventiva é decretada contra ex-procurador do Instituto Rio Metrópole após novas mensagens encontradas em celular

Prisão preventiva é decretada contra ex-procurador do Instituto Rio Metrópole após novas mensagens encontradas em celular

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu, em 16 de setembro de 2026, uma nova prisão preventiva contra Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM). Ele é alvo da Operação Ouroboros.

Marcelo havia sido detido na fase inicial da investigação, deflagrada em julho, mas chegou a obter habeas corpus que revogou a prisão. A nova decretação de prisão foi determinada pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital depois que a perícia no celular apreendido com o acusado apontou indícios adicionais de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do MPRJ, mensagens indicam que Marcelo orientou a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual (MEI) para prestação de serviços à Engeconsult — empresa que mantinha contratos milionários com o IRM e cujos ajustes dependiam da Procuradoria chefiada por ele.

O acordo entre o MEI e a Engeconsult previa pagamento total de R$ 30 mil, divididos em seis parcelas de R$ 5 mil, sob a justificativa de serviços administrativos. O MPRJ aponta que a contratação teria sido usada para ocultar vantagem indevida ao agente público, com os valores sendo depositados em conta de titularidade de Thays. As mensagens recuperadas também mostram instruções para que as tratativas não ficassem registradas por escrito. O contrato foi firmado no mesmo dia da constituição do MEI e ostentava data anterior à criação formal da empresa.

A perícia no aparelho revelou ainda comunicações que demonstram atuação de Marcelo para agilizar pareceres favoráveis ao grupo, interferir em documentos inseridos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e impedir o encaminhamento de assuntos a órgãos de controle externos. Em uma das conversas, ao tratar de um caso que poderia ser remetido à Procuradoria-Geral do Estado, o conteúdo das mensagens sugeria resolver o assunto internamente e arquivar o processo.

Embora tenha deixado o cargo de procurador do IRM em 8 de junho de 2026, Marcelo teria continuado a prestar serviços ao grupo investigado. Sete dias após a saída, ao receber novo pedido para elaborar um parecer, ele respondeu “Deixa comigo”, segundo o MPRJ — episódio que, para os procuradores, indica que sua atuação não dependia da permanência no cargo público.

Com as novas provas, o Ministério Público apresentou aditamento à denúncia, acrescentando contra Marcelo seis crimes de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também passou a responder por seis novas acusações de lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu o aditamento.

Operação Ouroboros

Na primeira fase da investigação, deflagrada em julho, o MPRJ denunciou 11 pessoas por participação em um esquema de desvio de recursos do IRM por meio de contratos que movimentaram R$ 86,28 milhões. Segundo a denúncia, valores pagos pelo instituto à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia eram repassados ao Instituto BIO — entidade que, conforme apuração, não dispunha de estrutura operacional compatível com os serviços contratados — e posteriormente sacados em espécie.

A investigação teve início após a apreensão, em janeiro de 2026, de R$ 500 mil em espécie transportados sob escolta armada. A apuração identificou 28 transferências das empresas contratadas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões, além de 13 saques que somaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.

Autor: Douglas Corrêa — Rio de Janeiro. Publicado em 17/09/2026.

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via Agência Brasil

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