Defesa de Daniel Vorcaro pede a Fachin revogação de prisão preventiva alegando paralisação das investigações

Defesa de Daniel Vorcaro pede a Fachin revogação de prisão preventiva alegando paralisação das investigações

Ultimas Notícias

Brasília, 18/09/2026 — A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro protocolou pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitando a revogação da prisão preventiva do dono do antigo Banco Master, investigado por suposta corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras avaliadas em bilhões.

No documento, os advogados argumentam que o andamento dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero ficou suspenso no gabinete de Fachin depois que o ministro Flávio Dino pediu vista durante a sessão plenária de 15 de setembro, quando estava prevista a análise da eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a defesa, os autos foram remetidos a Fachin pelo relator André Mendonça em meio à crise institucional desencadeada em razão da divulgação de relatórios e de mensagens atribuídas a Vorcaro. Com o pedido de vista, afirmam os advogados, os processos que envolvem Vorcaro permaneceram sem apreciação.

Os defensores sustentam que a indefinição sobre a relatoria e a competência para conduzir os procedimentos impede que o recurso pela liberdade do ex-banqueiro seja analisado, o que, na avaliação deles, torna injustificável a manutenção da prisão por período prolongado. Conforme a petição, Vorcaro está recolhido há mais de 90 dias sem que o STF tenha decidido sobre o pedido de soltura.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e atualmente cumpre prisão no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em um pavilhão destinado a presos considerados especiais, conhecido popularmente como “Papudinha” pela proximidade com o Complexo Penitenciário da Papuda.

Contexto da crise no STF

O caso tomou contornos institucionais após o relator André Mendonça tornar público um relatório da Operação Compliance Zero que traz mensagens que os investigadores atribuem a Vorcaro e que, segundo Mendonça, justificariam a investigação de Alexandre de Moraes.

Em reação, Moraes divulgou um documento de inteligência da Polícia Federal que, segundo críticas de parte do tribunal, indicaria direcionamento das apurações por parte de Mendonça. O relatório divulgado por Moraes não traz assinatura nem timbre oficial e traz na capa observação de que suas análises são “sem valor probatório”.

Além disso, Moraes apresentou pedido para que sejam investigados possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça. A inclusão desse pedido na pauta do plenário estava prevista para 23 de setembro, mas a matéria foi retirada posteriormente por decisão de Fachin. Não há nova data marcada para julgamento.

Com o impasse sobre quem deve conduzir as apurações e a sobreposição de pedidos entre ministros, a defesa de Vorcaro afirma que não há previsão para a retomada dos atos processuais que poderiam levar à análise do pedido de liberdade.

O pedido de revogação da prisão preventiva foi registrado na manhã de 18 de setembro de 2026 no STF e aguarda despacho da presidência da Corte.

Leia também: Candidatos das Eleições 2026 não poderão ser presos a partir de sábado (19/09/2026); exceção é flagrante

via Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *