Pesquisa revela níveis elevados de esgotamento emocional e burnout entre médicos de UTI no Brasil

Pesquisa revela níveis elevados de esgotamento emocional e burnout entre médicos de UTI no Brasil

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Brasília, 18/09/2026. Quase metade (48,5%) dos médicos que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil apresenta elevado nível de esgotamento emocional, segundo o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras. Entre os 2.338 profissionais ouvidos em 26 estados e no Distrito Federal, 46,4% relataram baixo grau de satisfação com suas atividades.

O levantamento foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), e aponta que 79,7% da força de trabalho necessita de atenção à saúde emocional: 31,2% manifestaram esgotamento moderado e 48,5% alto nível de desgaste. Apenas 20,3% declararam baixos níveis de esgotamento emocional.

A Amib relaciona o quadro a fatores como jornadas extensas, exposição contínua a situações críticas (incluindo dor, sofrimento e morte), infraestrutura insuficiente em alguns serviços e a crescente demanda por atendimento diante de uma rede de cobertura limitada. A entidade alerta que essas condições elevam a vulnerabilidade dos intensivistas à síndrome de burnout — caracterizada por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal — e defende que a saúde mental desses profissionais seja tratada como prioridade nas políticas públicas e nas ações institucionais.

O diretor de Comunicação do CFM, Estevam Rivello, destacou em coletiva que as pressões exercidas sobre médicos de UTI variam entre os setores público e privado. Segundo Rivello, profissionais do sistema suplementar costumam dispor de melhores estruturas e recursos terapêuticos, o que facilita o manejo de pacientes graves, enquanto no serviço público o estresse tende a ser maior devido a remunerações mais baixas, vínculos empregatícios distintos e infraestrutura mais limitada.

Efeitos na prática clínica

O estudo também registrou índices relevantes de despersonalização — distanciamento emocional que se manifesta em atitudes apáticas ou frias frente a pacientes e colegas. Ao todo, 45,6% dos intensivistas relataram algum grau dessa condição: 29,6% com nível moderado e 16% com nível elevado. A Amib alerta que esses comportamentos comprometem a qualidade do atendimento e a comunicação nos times de saúde, em desacordo com práticas de humanização do cuidado.

Os resultados variaram conforme o nível de especialização: médicos intensivistas com formação específica apresentaram, em média, menor esgotamento emocional, menor frequência de distanciamento afetivo e maior sensação de realização profissional. Em números, entre intensivistas especializados, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de despersonalização e 39,8% baixa satisfação com o próprio desempenho. Entre médicos generalistas que atuam em UTIs, esses percentuais foram mais elevados: 52,3% (esgotamento), 20,1% (despersonalização) e 50,7% (baixa satisfação), respectivamente.

Ao recomendar ações, a Amib enfatiza a necessidade de programas de prevenção e cuidado direcionados a profissionais de terapia intensiva, incluindo medidas de gestão de jornadas, apoio psicológico e melhorias estruturais, além da articulação entre gestores, instituições e autoridades de saúde para mitigar riscos à saúde mental desses trabalhadores.

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via Agência Brasil

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