DF promove semana do Dia Mundial Sem Carro com ações por mobilidade ativa e apoio a entregadores

DF promove semana do Dia Mundial Sem Carro com ações por mobilidade ativa e apoio a entregadores

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Por Daniella Almeida — Brasília, 23/09/2026

Com o objetivo de reduzir a presença de veículos motorizados nas vias e incentivar deslocamentos a pé e de bicicleta, o Distrito Federal realizou nesta semana uma série de atividades em alusão ao Dia Mundial Sem Carro, celebrado em 22 de setembro.

A iniciativa convida motoristas a repensarem a dependência do automóvel e estimula alternativas como transporte público, bicicleta, patinete e caminhada, além de promover debates sobre segurança viária e reorganização do espaço urbano.

A organização não governamental Rodas da Paz coordenou ações sob o tema “Cidades Mais Humanas começam com escolhas diferentes”, propondo que a população experimente novas opções de deslocamento e discuta políticas públicas que aumentem a segurança e a qualidade do espaço para pedestres e ciclistas.

Estratégia dupla para ampliar o uso da bicicleta

Raphael Barros Dorneles, coordenador-geral da Rodas da Paz, defende uma abordagem em duas frentes para ampliar o uso da bicicleta: investir em infraestrutura cicloviária e adotar medidas que desencorajem a circulação de automóveis.

Segundo Dorneles, a melhoria da malha cicloviária exige elementos como sinalização, iluminação, conectividade entre trechos, conforto e arborização. Paralelamente, ações como cobrança por estacionamento, fiscalização rigorosa de infrações e prioridade no trânsito para ônibus e ciclistas são necessárias para motivar a migração modal.

“Não basta somente estimular o uso da bicicleta. Tem que desestimular o uso do carro, se não as pessoas não migram. Só o fato de ser dada prioridade à fluidez do trânsito para o transporte público e para a bicicleta já desestimula o uso do carro”, afirmou Dorneles.

Ganha-pão mais seguro

No dia 24 de setembro, a ONG programou a doação de equipamentos de segurança para entregadores que usam bicicleta, como espelhos retrovisores, campainhas, luzes, fitas refletivas e kits para remendo de pneus. Os itens serão distribuídos conforme a necessidade de cada trabalhador.

Ítalo Santos Vieira, 25 anos, que trabalha há seis meses como entregador por aplicativo e passa de sete a oito horas por dia nas ruas, relatou que, por falta de recursos, ainda não dispõe de espelho retrovisor e cotoveleira, apesar de já ter sofrido quedas durante as entregas.

Outra experiência semelhante é a de Ivan Gabriel, 31 anos, que há cinco meses realiza entregas de bicicleta e combina deslocamentos de metrô e bicicleta para trabalhar, em média seis horas diárias. Ele informou ter comprado por conta própria capacete, cadeado e caixa térmica e apontou a ausência de locais seguros para deixar a bicicleta ao buscar pedidos como problema recorrente, além do risco de roubos.

Ocupação das ruas

Como parte da programação, a Rodas da Paz apoiou a realização da Bicicletada na noite de terça-feira (22). Dezenas de ciclistas saíram da Universidade de Brasília (UnB) e percorreram cerca de 15 quilômetros pela Asa Norte.

Na segunda-feira (21) foi realizada a edição 2026 do Desafio Intermodal de Brasília, prova prática que compara a eficiência de diferentes meios de transporte partindo do mesmo ponto em direção a um mesmo destino. A avaliação leva em conta tempo de deslocamento, impacto ambiental, emissão de poluentes por passageiro, ruído e custo financeiro, incluindo custo social e investimento público em mobilidade.

A última atividade programada para a Semana do Dia Mundial Sem Carro ocorrerá no domingo (27), no Eixão do Lazer Sul, com o lançamento da Carta-Compromisso da Mobilidade Sustentável. O documento, elaborado por organizações da sociedade civil, será entregue aos candidatos nas eleições de 2026 para que, se eleitos, assumam compromissos práticos por um trânsito mais seguro, inclusivo e ambientalmente responsável.

Controle social e governança

Um dos objetivos da Rodas da Paz é a criação de um conselho deliberativo de mobilidade urbana sustentável e transporte dentro da estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF). A proposta visa garantir participação popular, controle social, governança e transparência nas decisões sobre mobilidade.

Coletivos e especialistas em mobilidade destacam benefícios da bicicleta como transporte, lazer e esporte, entre eles ganhos na saúde, economia para o ciclista e redução de emissões de gases de efeito estufa e poluição. Dorneles enfatiza também que a fabricação e a infraestrutura necessárias para bicicletas demandam menos materiais e espaço que automóveis, liberando áreas urbanas para moradia, comércio e espaços verdes.

Programas federais e investimentos

O Ministério das Cidades informou que o Programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana tem ações destinadas à melhoria da circulação e da segurança viária. O programa financia iniciativas voltadas ao transporte não motorizado, transporte coletivo e à elaboração de planos de mobilidade municipais e metropolitanos, além de estudos e projetos básicos.

Segundo a pasta, o Avançar Cidades recebeu investimentos federais de R$ 4,7 bilhões, aplicados em projetos como construção de calçadas acessíveis, ciclovias, iluminação pública e sinalização viária.

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via Agência Brasil

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